Que horas escrever?

Realizada a pesquisa, concluído o planejamento e a descrição do personagem, era hora de vencer outro desafio: arrumar tempo para escrever, em meio a uma vida em que meu tempo era tomado entre ser mãe de duas meninas pequenas, esposa, mulher, executiva, amiga, filha, etc… Tantas responsabilidades e eu ainda “arrumei” mais uma, escrever um livro e publicá-lo!
Me via desafiada ao extremo, pensei muito e estava tendo dificuldade em encontrar tempo. Milagre não dava para fazer, pois o dia tem só 24 horas. Minhas prioridades precisavam de uma nova ordem. A hora realmente tinha chegado, esta era a única certeza do momento.
Resolvi sacrificar algumas horas de sono, lazer e tempo com a família. Meu marido já estava engajado no projeto, mas minhas filhas precisavam da mãe e eu me vi como malabarista, equilibrando vários pratos. Foi uma decisão difícil, mas o que realmente abri mão foi das minhas horas de sono.
Como tudo na vida, escrever é prática. Dizem que se um pianista não praticar todos os dias, só ele saberia; se não praticar por dois dias, seus críticos saberiam; depois de três dias, seu público saberia.
Eu precisava escrever todos os dias, exercitar e encontrar meu estilo para deslanchar na história. Aproximar ideias complexas e estudos densos do repertório da maioria dos leitores. Queria produzir um livro acessível, simples de ler e, ao mesmo tempo, que oferecesse aprendizado.
Um detalhe importante que ainda não mencionei: o personagem principal do livro é homem. Isso que me impunha um desafio adicional e exigia algumas inversões ou modificações na forma de eu ver, pensar e fazer.
Acho que consegui manter o mínimo em qualidade e minhas filhas não sofreram tanto, pois sentiam o quanto eu estava feliz e isto só foi possível, pois contei com o apoio incondicional do nestas horas, preenchendo vários momentos de minha ausência.
Tive momentos de frustração por querer escrever e não poder, em função de algum compromisso inadiável, ou mesmo nos dias que a responsabilidade do trabalho era prioridade. Vivi conflitos entre querer e precisar estar com minhas filhas e, ao mesmo tempo, não querer parar um pensamento que aparecia na tela do computador, conforme eu ia apertando as teclas.
Acordei muitas noites e fui ao computador. No dia seguinte eu estava um bagaço fisicamente, mas emocionalmente feliz, inteira e cheia de vida.
Uma alternativa que encontramos foi viajar, em fins de semana, para algum hotel com computadores para eu deslanchar. Eu passava as horas trancada no quarto escrevendo e meu marido e filhas se divertiam do lado de fora.
Tivemos que usar a criatividade que estava sendo entregue ao livro para a vida em família, mas, todas as alternativas que encontramos não foram suficientes para compensar a minha ausência. Sei que este tempo foi sacrificado, este foi um dos preços que paguei para realizar meu sonho.
No próximo post vou contar como venci as páginas em branco.

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