Inspiração

Há muito tempo, eu tinha vontade de escrever um livro. Pra mim, ele é uma das formas de realizar meu propósito e espalhar possibilidades.

O tempo passou, e muitas vezes, me sentia sufocada por não escrever. Eu encontrava desculpas a cada ano para não fazê-lo. Até que, certa noite, eu estava na Livraria Cultura; lugar onde adoro ficar, tomar café, encontrar amigos, me inspirar; e tive certeza que a hora tinha chegado. Era uma noite de agosto de 2013, ainda inverno, eu vinha de um processo de trabalho muito intenso que tinha provocado em mim várias reflexões.

Depois que eu escolhi uns três livros, sentei para tomar um café e folhear um deles e como era curto acabei lendo quase inteiro. Abriu outra perspectiva sobre um dilema que eu tinha, o processo estava começando.

Na volta para casa, a primeira música que tocou quando liguei o carro foi Coisas da Vida, da Rita Lee. A música bombou dentro de mim e fez todo sentido, ouvi uma vez atrás da outra e isto durou o caminho inteiro. Cada vez ouvia o som mais alto e mais alto e eu cantava junto, meu coração parecia que ia explodir de alegria. Depois, resolvi que esta música faria parte do livro, como outras da Rita Lee, pois suas canções passaram a inspirar a personagem do livro O Dono da História.

Neste instante, me enchi de coragem: tinha chegado a hora!

A coragem que tomou conta de mim é aquela que vem do coração, vale dizer que em latim esta é origem da palavra: cor + agem = agir com o coração. A definição original era contar história com todo o coração, o que tentei fazer no livro. Acabei descobrindo que sou uma contadora de histórias, acho que esta é uma forma de falar fatos com alma.

Cheguei em casa, ainda com o som alto, já era umas 22h e acho que até a minha garagem vibrou. Entrei gritando o nome do meu marido e disse: É hoje, é hoje! Hoje vou começar a escrever meu livro e preciso da sua ajuda, vamos fazer um brainstorm? E ele, como ótimo companheiro, topou discutir os possíveis caminhos para o livro aquela hora da noite.

Entramos no escritório e assim começou. Viajamos nas ideias, rimos, nos divertimos, ouvimos canções e tive o insight sobre o personagem que seria o fio condutor dos capítulos e, a partir daí, as minhas ideias se iluminaram, pontos foram se conectando e encontrei o sentido que procurava.

Com tanta excitação, mal consegui dormir, minha cabeça borbulhava e tudo o que eu queria era pensar e falar sobre o livro. Minha mente estava a mil por hora.

No dia seguinte, fui trabalhar, era uma sexta feira e o dia amanheceu ensolarado, céu azul, fazia um friozinho gostoso, meu coração estava bombeando tanto que meu corpo estava quente. Antes de chegar na empresa, liguei para uma das minhas melhores amigas, contei sobre meu insight e ela adorou, escutou atentamente e, como sempre, me incentivou. Meu lado racional precisava testar a descoberta do personagem, mas confesso que tive dificuldade de explicar tudo o que estava na minha mente, tudo ia se formando muito rápido, como normalmente meus insights acontecem.

Meu marido sempre me dizia que eu deveria escrever algo mais estimulante para pessoas de áreas diversas, com uma linguagem que abrangesse mais gente, escrevendo uma história já que eu queria espalhar possibilidades e inspirar os outros. Assim, defini meu grande desafio: escrever em formato de ficção.

Eu não sabia muito bem como fazer isto, no fundo, achava que eu não era capaz, até porque nunca tinha lido sobre técnicas de escrever e nem estudado o tema e isto me incomodava. Pra mim é importante fundamentar o que faço ou o que ensino.

Depois, pensando mais sobre o assunto e na minha trava – aquela que eu mesma coloquei em mim – descobri que na vida não somos estimulados a inovar e, quando crianças, somos cheios de ideias criativas que se perdem ao longo dos anos. Fui estimulada a estudar, ter um diploma, ter casa própria, um bom emprego – de preferência para a vida toda – pagar INSS para um dia ter o direito de me aposentar e então fazer coisas legais. Isto está mudando, mas de forma lenta. Precisamos de mudanças radicais no modelo mental que fundamenta o sistema educacional para aumentar as chances de um país melhor.

Provavelmente, isto aconteceu com muita gente da minha geração, mas esta é uma outra história…

Com todo este contexto, o desejo ficou guardado dentro de mim.

A inspiração eu já tinha, mas, e agora, como escrever uma história de ficção? Por onde começar?

No próximo post, vou contar como iniciei o processo de escrever.

 

 

 

16 comentários em “Inspiração

  1. Douglas / Responder 19 de agosto de 2015 às 14:56

    Estamos ansiosos pelo livro!

  2. camila pessoa / Responder 19 de agosto de 2015 às 17:24

    Carlinha que delicia ouvir suas histórias e participar do seu sucesso!
    parabéns.
    bj

    • Carla Weisz / Responder 2 de setembro de 2015 às 21:50

      Obrigada. Espero que estas historias ajudem as pessoas.

      beijos

  3. Irene Azevedo / Responder 20 de agosto de 2015 às 10:25

    Carla é um exemplo de determinação, talento e inspiração. Um exemplo para todos nós.

  4. Irene Azevedo / Responder 20 de agosto de 2015 às 10:27

    Carla é um exemplo de talento, determinação e coragem. Realmente uma inspiração para todos nós.

    • Carla Weisz / Responder 2 de setembro de 2015 às 21:50

      Você faz parte da minha historia. Obrigada pelo carinho de sempre.

  5. Danubia / Responder 20 de agosto de 2015 às 11:31

    Parabéns pelo texto! Adorei saber da origem da palavra coragem! Sucesso. Bjs.

  6. Gislaine / Responder 20 de agosto de 2015 às 16:19

    Tudo com conexão, essencia e sentido. Também estou ansiosa pelo lançamento. Bjs

    • Carla Weisz / Responder 2 de setembro de 2015 às 21:48

      Obrigada pelas palavras e carinho. Também estou ansiosa pelo lançamento, kkkk.

  7. Danilo Fernando Alves / Responder 31 de agosto de 2015 às 16:34

    “Depois da estrada começa
    Uma grande avenida
    No fim da avenida
    Existe uma chance, uma sorte
    Uma nova saída”
    Adorei saber da inspiração com a música! (Coisas da Vida, da Rita Lee). Muito bom Ca!

  8. Rita Ortega / Responder 2 de setembro de 2015 às 21:19

    Quando te conheci, logo percebi a sua energia…ela contagia! Foi um grande prazer conhecê-la e ouvir os detalhes da composição desse livro. Parabéns, que inspire outras pessoas, assim como me inspirou 🙂

    • Carla Weisz / Responder 2 de setembro de 2015 às 21:47

      Meu coração se enche de alegria ao saber que tocou alguém. Obrigada por suas palavras.

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